quinta-feira, 20 de maio de 2010

Vai entender...

Seres humanos são criaturas complexas, já reparou?
Claro que isso se aplica a um zilhão de situações, mas quer um exemplo?
Seres humanos são criaturas que amam reclamar! Passam todo o tempo reclamando. Vivem perguntando qual o sentido da vida mas, no fundo, trata-se apenas disso: reclamar.
No verão fica todo mundo pedindo uma brisa pelamordedeus, que ninguém aguenta mais a temperatura semelhante à de um forno. Afinal, somos pessoas, não frangos de padaria.
Aí vem o frio e todo mundo começa a reclamar do vento, de ter que deixar o calor das cobertas, de ter que colocar mil roupas pra sair de casa.
Eu me abstenho. Detesto calor! A gente já acorda colando... você nem levantou da cama e já está transpirando feito um maratonista em fim de prova. Qualquer pedaço de pano com mais de um metro quadrado incomoda, fora a sonolência o dia todo e a vontade de ficar de cara com um ventilador, de preferência com a língua de fora, para ver se refresca por dentro.
Nasci no continente errado, já sei. Brasil é um país tropical, já dizia Jorge Ben, quando ainda era Jor; ame-o ou deixe-o e coisa e tal. Deixá-lo-ei assim que possível for, economicamente falando, não por falta de amor e patriotismo, mas unicamente em busca de terras menos providas de pontos no quesito "sensação térmica". Enquanto isso não acontece, fico calada e quase não reclamo do calor senegalês que faz por aqui no verão, mesmo morando eu tecnicamente no sul do país.
Enfim, como amo o inverno, aprecio temperaturas com apenas um dígito e toda essa parafernalha de casaco, cachecol, bota, gorro, luva e etc, quando esfria o legal é reparar que a maioria da população simplesmente não gosta de época nenhuma, só gosta de reclamar. Prova disso é que basta esquentar no decorrer do dia que todo mundo começa a reclamar de novo, dizendo que o tempo não se decide. Ué, o problema não era o frio?
Só um exemplo, naturalmente. Eu poderia falar disso um dia inteiro, mas estaria me desviando do assunto. De fato, seres humanos reclamam de toda e qualquer coisa. Provavelmente explodiriam caso não tivessem do que reclamar.
Talvez por isso a humanidade enfrente tantos problemas, das mais variadas ordens: seres humanos não precisam de salários maiores, políticos menos safados, cônjuges menos canalhas, uma inflação mais camarada, perguntas menos cretinas ou um chefe mais compassivo. Seres humanos precisam de motivos para reclamar! Só ficam felizes assim, não há o que se possa fazer para melhorar seu humor se tudo caminhar bem em suas vidas.
Pessoas não querem resolver seus problemas, elas só querem falar sobre eles, discutí-los, debatê-los, espremê-los e depois, de preferência, poder colocá-los de lado sem correr o risco de vê-los solucionados.
Criaturas complexas e malucas, esses seres humanos...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sobre acéfalos, arrependimentos e o tempo

Sabe o colegial? Aquele, que abrange da 5ª à 8ª série? Então, alguém exploda, por favor.
Aliás, aproveite o ensejo e detone também o Ensino Médio.
Sempre achei adolescentes criaturas com meio cérebro. E digo isso porque já fui um deles. E digo, inclusive, que eu também tinha meio cérebro... mas está cada vez pior.
No último sábado fui ao cinema. Algumas fileiras à frente, cerca de novecentos e oitenta e oito adolescentes de uns 16 anos aparentemente tinham acabado de aprender o significado da interjeição "foda-se", porque não se incomodaram com a presença das demais pessoas na sala para tirar milhares de fotos, gritar de um lado a outro da sala e fazer tanta arruaça quanto foi possível, inclusive cantando "parabéns a você" antes do filme começar, mesmo com geral sabendo que não era aniversário de nenhum deles.
Hoje, segunda-feira, sem dúvida o comentário no colégio foi "Véi, a gente fez uma zona no cinema sábado! Foi da hora!" - se é que alguém ainda fala "da hora", gíria que estava em voga quando eu pertencia a essa raça.
Ok, sinto-me como aquela vizinha véia que ficava reclamando da bagunça da molecada, mas a questão não é a bagunça; a questão é a vergonha alheia.
Porque eu sei, por experiência própria, que esses seres humanos um dia sentirão muita vergonha desse tipo de atitude! Um dia eles terão cérebros, e então se arrependerão pelas vezes em que disseram "véi", pelas vezes em que causaram em lugares públicos, pelas vezes em que usaram a roupa que era moda entre as pessoas de sua faixa etária, pelo tipo de música que ouviram... em suma, se arrependerão pela fase inteira, dos doze aos dezenove anos, exatamente como acontece comigo.
Eu sei que esse será o triste destino dessas criaturas e gostaria de poder salvá-las da fase.
Assim como eu sei que meninas dessa faixa etária gostam de classificar meninos de qualquer faixa etária como "gostoso". Embora não saibam que, na verdade, não sabem o que quer dizer gostoso! Provavelmente achem que gostoso é aquele mané bombadinho que estuda com elas, reprovado umas 3 vezes, que usa boné para trás, além do moletom com cinco vezes o tamanho que ele usaria; e que não sabe fazer outra coisa exceto tomar bomba e ficar fumando no intervalo, o que provavelmente acarreta advertências e suspensões. E elas vão ao delírio! Ah, o fascínio feminino pela anarquia...
E que meninos dessa faixa etária gostam de ver peitos e classificar meninas que eles beijem de "fáceis", embora não saibam que, na verdade, não sabem o que quer dizer fácil! Embora devessem agradecer a elas por tolerarem sua acne, a voz fina e o jeito mané de ser, falar e se vestir. Provavelmente pensem que elas são "fáceis" porque deram uns amassos atrás do colégio... como se eles próprios não tivessem feito o mesmo! Ah, o machismo enraizado...
Adolescentes acham o máximo estourar extintores de incêndio no banheiro, roda de baba no livro por dormir durante a aula, fugir pulando o muro na hora do intervalo, inventar novas expressões não-dicionarizadas que ninguém fora de sua roda de amigos vai entender.
Eu sei. Eu também achava. Assim como achava o máximo as Spice Girls, Malhação e pedir uma Coca de dois litros na Patota (bar frequentado, ao menos uma vez na vida, pela totalidade da população mandaguariense nascida a partir de 1950 - não estou exagerando, vide o nome super "in" que leva o estabelecimento), já que ninguém vendia mais que Keep Cooler aos menores de dezoito.
Mas isso não me impede, hoje, de abominar as cinco fogosas garotas, tirar sarro do seriado babaca e passar a quilômetros de distância do bar pré-histórico.
Portanto, pelo bem de nosso futuro, podem atear fogo ao colegial e ao Ensino Médio. Não há, em outra fase da vida, tanta asneira reunida!
Mas, pensando bem, salvai os gostosinhos e as garotas fáceis, pra que eles possam, um dia, perceber o quanto o tempo melhora as coisas.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A Estranha.

Quem é essa que me encara do espelho? Seus olhos trazem tantas emoções que eu não a reconheço.

Sim, alguns traços permanecem os mesmos, mas até mesmo seu sorriso, seu tão familiar sorriso, me diz que, por dentro, ela não é, nem nunca mais será, a mesma com quem me habituei.

No interior ela traça uma intensa batalha com seus próprios demônios, todos seus erros, seus medos, seus fracassos, gritando que nem adianta tentar, que ela nunca será capaz.

De outro lado a sua fé, sua força de vontade, sua coragem, tentando fazê-la ignorar todos os gritos, se levantar e seguir em frente no caminho que a levará ao sucesso.

Seus sonhos guerreando com seus pesadelos incessantemente em seu interior, fazendo-a sentir, sofrer, chorar, sorrir, se desesperar. E mesmo assim, a imagem do espelho sorri pra mim.

Afinal, quem é essa?

terça-feira, 30 de março de 2010

Aleluia, irmãos!

Uma vez que minhas companheirinhas de blog aparentemente faleceram ou tiveram seus computadores defenestrados (como nos ensinou Luis Fernando Veríssimo), e já que finalmente tenho algo a acrescentar à bagagem intelectual inútil das nações do mundo globalizado em que vivemos, cá está um texto novo, dedicado com todo o carinho à Livia, que andou cobrando.
Há muitas coisas detestáveis no mundo. Certa vez enumerei neste mesmo espaço aquelas que ocupam o topo da minha lista negra: falta de Coca-Cola, cólica e bolha no pé. No entanto, esqueci de mencionar uma outra, tão detestável quanto as três anteriores: pregações.
Cara, eu odeio pregações com todas as minhas forças, sejam elas provenientes de qualquer ordem religiosa, seita, doutrina ou credo. Diferentemente de gosto político, que eu abstraio, e futebolístico, que eu discuto, sim - e com orgulho - fé é o único item da trinca da discórdia que eu considero tão excessivamente particular que nem a minha eu cultivo direito, para não correr o risco de arrumar briga comigo mesma.
Não sei se por esse motivo, o fato é que pessoas vivem tentando me converter. E o pior é que sei que não é só comigo. Pessoas vivem tentando converter outras pessoas.
O mundo precisa se convencer de que o caminho para o céu - seja ele qual for, se é que existe - é importante demais para ser mostrado a alguém.
O mundo, aliás, precisa compreender que nem todo mundo acha legal berrar a deus - seja ele qual for - pedidos de salvação eterna. De repente o deus do outro não tem problema auditivo, como o seu, então não tente convencê-lo a ir à sua igreja agir como um cabrito degolado.
Assim como nem todo mundo acha legal sibilar frases entredentes ao mesmo tempo em que o líder religioso tenta fazer uma oração. Caso você goste assim, dê-se por satisfeito em não calar a boca, mas não encha o saco de mais ninguém para que faça o mesmo.
Nem todo mundo, também, curte esse lance de pão e vinho. Para algumas pessoas menos familiarizadas com o costume, pode parecer esquisito imaginar corpo e sangue descendo garganta abaixo, no meio de uma cerimônia.
A Bíblia também não é a leitura predileta de toda a raça humana, indistintamente. Alguns "hereges" preferem ler as notícias do dia, o último lançamento de um autor bacana ou ainda esse monte de baboseiras que nós escrevemos por aqui quando não temos nada melhor a fazer. Isso não os torna necessariamente pessoas ruins ou impuras, apenas os torna diferentes de você.
Portanto, não fique desesperado imaginando um fim terrível e sofrimento eterno para aqueles seres humanos que não possuem a mesma fé que você. Vai que você mesmo está errado! Contente-se em seguir o que você escolheu e salvar sua própria alma pecadora porque, de acordo com a MINHA religião, pessoas que ficam pregando por aí deverão ser eternamente forçadas a ouvir uma playlist que, entre outras pérolas, incluem Latino, Perla e o Rebolation.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

poder me orgulhar?

Eu estou terminando o quarto ano de um curso conceituado, em uma universidade escolhida, por dois anos consecutivos, como a melhor do Paraná. O curso que eu faço - Direito - é recomendado com a nota “A” pela OAB e recebe sempre boas notas no ENADE.
Não estou falando isso para me gabar, até porque, no presente momento, eu não sinto um pingo sequer de orgulho desse curso. Eu falo simplesmente para poder mostrar as contradições existentes.
É certo que a UEM, como uma universidade pública, passa por dificuldades financeiras e burocráticas, mas isso não justifica, em nada, a canalhice feita pelos departamentos do curso de direito com seus alunos.
Cada vez mais se percebe que o mérito das aprovações no exame da Ordem e as boas notas no ENADE são, quase que exclusivamente, dos alunos que, selecionados pelo vestibular, estão acostumados a “dar duro” pra conseguir seus objetivos.
Terminando o penúltimo ano de faculdade, é mais que natural que eu esteja fazendo planos para o futuro, tais quais: terminar, durante as férias de verão, a minha monografia; fazer um cursinho preparatório para a OAB; fazer estágio e guardar algum dinheiro; começar a estudar, como nunca fiz antes na minha vida, para ser juíza do trabalho; entre inúmeros outros, alguns vagos, outros certamente palpáveis.
Mas na última quarta-feira recebi uma notícia avassaladora: vai ser implantada uma nova grade curricular, que era pra ter sido colocada em prática no começo de 2006, quando eu ainda era uma caloura, e deve retroagir a todos que começaram o curso naquela época, ou seja, pra todo mundo que começou a faculdade junto comigo.
Resultado - eu, e meus colegas, teremos que fazer, no ano que vem, matérias que deveríamos ter feito durante os 1º, 2º, 3º e 4º anos, tudo de uma vez só, ainda com as matérias normalmente aplicadas no 5º, mais as que a nova grade curricular prevê para o último ano. Ou seja, aulas de manhã, de tarde e aos sábados, o dia todo, começando a partir de amanhã até o final do curso.
A patifaria está no fato dos nossos professores, representados pelos departamentos (DDP - Departamento de Direito Público e DPP - Departamento de Direito Privado e Processual), se recusarem a dar a quinta aula, o que nos acarretaria aproximadamente 50 minutos a mais na faculdade diariamente, mas nos livraria das aulas no sábado a tarde.
Além disso, haverá curso de férias, para que possamos adiantar algumas de tais matérias e não ficar tão sobrecarregados ano que vem. Ou seja, acabou férias, acabou descanso, acabou adiantamento de monografia e, provavelmente, acabou estágio, afinal de contas, com as manhãs e noites ocupadas, eu preciso arrumar algum tempo para estudar e fazer meu TCC.
Não tem como evidenciar mais o descaso dos professores e chefes de departamento para com os alunos - que vêm atribuindo o bom nome e a fama da universidade - que, além de simplesmente não se importarem com os nossos planos e projetos futuros, deixaram para aplicar, apenas no último momento, uma grade curricular estipulada pelo MEC em 2004.
Deixo aqui o meu protesto e minha mais profunda decepção para com essa universidade que, até alguns dias atrás, eu exaltava tanto através de gritos de torcida.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pelada

Não, não pretendo discorrer sobre nenhuma moçoila despida, para tristeza dos rapazes que porventura venham a ler meu humilde excerto.
E, para aumentar o desespero dos mesmos, lá vou eu declarar que estou aqui para falar de futebol!
Digo, pretendo falar de futebol assim que eles pararem de me atirar latinhas.
Acontece, garotos, que eu adoro futebol! E, crime maior ainda, adoro discutir futebol!!!
Futebol, para minha família, é instituição. Fui criada vendo os jogos do Palmeiras - indubitavelmente minha alma - mas também de qualquer outro time que estivesse jogando. Até do Itapipoca, até do Mandaguari Esporte Clube.
Mas vou ater-me a comentários sobre meu próprio time, para evitar ameaças de assassinato. Ao menos palmeirenses considerarão o fato de que também o sou antes de querer me matar.
Não é necessário repetir o mantra: Marcos é a alma do clube e fim de papo. Ele não joga no Palmeiras por dinheiro, joga porque é palmeirense, efetivamente. Até aí podem dizer que Rogerio Ceni também é a alma do São Paulo, mas minha opinião é que Rogerio é linha frustrado, daí se especializou em cobrança de faltas e por isso se destaca... como goleiro, no entanto, não tem nada de especial. Enfim, São Marcos se irrita quando perdemos não só porque trabalha ali, se irrita como torcedor que é!
Gostava do Edmundo, cara. Nunca mais esqueci o "au au au, Edmundo é animal" de quando ele era realmente o terror. E também nunca mais esqueci que o Leão era nosso goleiro "a long time ago"... amava o Alex, gostava demais do Muller e do Luisão. Nossa, nem sei como me lembro deles.
Da atual formação, ainda não sei qual o meu sentimento com relação ao Armero e ao Ortigoza. Na verdade acho que o Armero joga bem, desde que se concentre em fazer o que tem que fazer ao invés de ficar pulando pra todo lado. Já o Ortigoza sei lá... algo ainda não esclarecido não me agrada.
Diego Souza é indiscutivelmente o homem da vez, mas sem o Cleiton Xavier meio que pipoca. Obina é aquela coisa do cara que chegou pra ser "melhor que o Eto'o" e aí já viu... por melhor que jogue, sempre parece que fez pouco.
O Souza é bom, cara. O único problema dele é ser cabeça quente (o que talvez justifique os cabelos vermelhos). Já Pierre, cada vez melhor. Se continuar assim podemos dispensar meia dúzia.
Sandro Silva aparece pouco, mas quando o faz é pro bem. Vágner Love dispensa comentários, mas só joga quando quer. Danilo fica ali, às vezes me dá vontade de chutar longe de tão apagado, de repente surge do além pra tentar definir as coisas - e numas assim até consegue. Sacconni não é nada mau, bem que Muricy poderia confiar mais nele... acho que o jogo fica mais aberto quando ele está em campo.
Ah, por falar em Muricy, acho um excelente técnico, deve estar querendo enforcar metade do elenco por essa queda lamentável na reta final do Campeonato Brasileiro. Para mim, como torcedora, também é difícil de admitir, mas Palmeiras já mereceu mais esse título...
De qualquer forma... eu canto: eu sou Palmeiras até morrer! Olê, olê! Olêêêê, olêêêê...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ultraje a rigor

Neste mundo, há uma porção de coisas absolutamente impossíveis de se obter. Dois corpos ocupando o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo é um bom exemplo, mas há outras situações mais, digamos, palpáveis: vaga no estacionamento do supermercado, elevador no andar em que você se encontra, homem fiel-rico-inteligente-gentil-heterossexual, meu TCC. Mas nada se compara à impossibilidade de se manter a elegância ingerindo líquidos em um copo plástico.
Digo isso por uma experiência recente - um super evento de tecnologia, contando com a presença de prefeito, governador, reitor de universidade, comitiva estrangeira e tudo o mais; pessoas em trajes mega elegantes (exceto o supracitado governador, devo acrescentar) e, quando é servido o coquetel, copos descartáveis.
É compreensível que, uma vez que o número de pessoas presentes era bastante elevado, a organização tenha optado por não arriscar gastos extras com copos quebrados, mas isso não diminui o constrangimento geral. Eu mesma, desencanada que sou, metida em um salto agulha e camisa de alfaiataria, fiquei totalmente descomposta segurando aquele copo. Foi comparável a estar sem roupa alguma.
O mais engraçado foi notar que todos os presentes sentiam o mesmo, tentando de alguma forma disfarçar o copo e a vergonha ao mesmo tempo, sem saber direito como olhar para os lados.
Bem, depois de ouvir o mesmo governador chamando UEM de UEL, traje a rigor e copos descartáveis até que combinam bem.
Ok, exagerei. Vai ver eu sou mesmo a única surtada que pensou nisso.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Hoje é meu aniversário, e teve uma festinha esses dias, e eu ganhei um jogral das meninas, olha que lindinho:


A gente conheceu uma guria
que era de um colégio diferente.
Não sei porque a antipatia,
mas ela não gostava da gente.

E do nosso lado,
também houve rejeição.
Quem era essa menina,
de mini-saia e meião?

Mas quem diria que Hitler
teria um bom comportamento?
Iniciou-se uma amizade,
por causa do seu julgamento.

Mas se uma maçã é podre,
as outras apodrecem também.
Foi isso que a Lelê fez,
com essas carinhas de neném.

Eu não conversava na aula,
eu não CANTAVA na aula,

eu não faltava na aula,
eu não MATAVA aula

eu não fazia bagunça
eu não ia pra diretoria por causa de Fotolog!

Eu não saía,
eu não bebia.

Eu não saía,
eu não bebia.
Na verdade a Lelê acendeu o que já existia,
e veio para nos mostrar o que é mesmo parceria!

Ela gosta mesmo é de uma presepada,
visita até o Fórum durante a madrugada.
Numa cervejada gosta mesmo é de beber,
esquece até os mocinhos que acabou de conhecer!

ógos, óógos, e na época dos jogos,

Íma, ííma, a Lelê só fala em rima!

Álo, áálo, um autógrafo do galo!

E pra finalizar, um funk eu vou mandar:

Vida Loka é quem?
Vida Loka é a Leléca
não importa o que ela faça,
está sempre com a caneca!




Fala sério, elas merecem uma resposta, né?

Guenta aí então:

Cês num me enganam
Cês num me enganam
Tá na cara que cês me amam!

Não vem com treta,
não vem com treta,
melhor parceria do planeta!

É isso que dá,
é isso que dá,
não tem nem como negá!


humilde, mas de coração!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Receita

Comece encontrando coisas pequenas que te façam feliz. Ninguém liga se você usa o secador de cabelo para criar efeitos visuais, canta no chuveiro sem saber a letra da música, fala sozinho, dirige como se estivesse num clipe ou gargareja depois de escovar os dentes.
Procure estar entre pessoas que te permitam ser você mesmo. Isso é liberdade e nada no mundo pode fazer maior bem a um ser humano que o fato de poder agir de acordo com suas próprias regras.
Ninguém acerta o tempo todo. É muito complicado agradar aos outros e, portanto, o melhor que você tem a fazer é tentar agradar a si mesmo. Errar faz parte da vida, magoar idem, perdoar mais ainda e saber pedir perdão é dádiva.
Assuma seus erros. Admita que deu passos em falso, tropeçou nas próprias convicções, falhou quando buscava acertar. Corrija suas falhas. Se não conseguir, continue tentando. Nenhum deus há de te julgar pelos erros que você cometeu sem perceber. Ninguém dá a volta por cima se nunca esteve por baixo. As regras são simples e o amor infinito.
Dê valor ao seu passado. Sem ele você não estaria aqui. Visite o lugar onde você nasceu, caminhe por ruas que fizeram parte da sua infância, reencontre velhos conhecidos, converse com a sua família sobre fatos engraçados, trágicos, bobos.
Mantenha sua família próxima. Saiba reconhecer o quanto você deve a eles e o quanto ainda vai precisar deles na vida. Demonstre seu amor sempre que puder. Ande de mãos dadas com seus irmãos pela rua, abrace, beije, aperte, irrite, brigue com eles, mas mantenha-os perto.
O futuro continuará eternamente sendo uma incógnita. Não vale a pena viver por ele ou pelo passado, a vida é isso que está acontecendo agora. Eu deveria estar fazendo o almoço, você está se preparando para ir dormir, o cara passando lá na rua está atrasado para um compromisso importante e um bebê chora. Este é o mundo real, nada mais tangível vai cruzar o seu caminho.
Problemas existirão sempre, e devem ser resolvidos a seu tempo. Não dê atenção demais a eles, resolva um de cada vez. Os que não puderem ser solucionados devem ser aceitos, indefinidamente.
Tenha com quem contar, mas conte principalmente com você mesmo.
Corra, cante, brinque, fale, trabalhe, durma, coma, observe, escute, dance, pule, leia, telefone, assista, decore, escreva, chore, ande, mude, respire, grite, sorria.
Ame.
E fim.

sábado, 15 de agosto de 2009

sei lá...

Faz tempo que eu não dou as caras por aqui, e isso tem uma explicação bem óbvia, eu estou me sentindo bem; ou estava, sei lá...

É assim mesmo, eu só tenho aptidão para a escrita quando algo me angustia, me corrói, me queima por dentro.

Não é a toa que a época que eu mais escrevi “pseudo-poemas” foi no auge dos meus 13/14/15 anos, quando eu jurava que iria morrer de amor, com o coração sangrando por algum carinha que hoje em dia eu nem sequer lembro os detalhes da fisionomia ou o tom da voz.

E se eu voltei pro papel e caneta - ou pro teclado e a internet - é porque algo aqui dentro não está legal. Na verdade, eu não sei ao certo o que se passa, o que eu penso, o que eu quero, o que eu preciso, o que me faz bem...

Eu queria ter o poder de tomar todas as decisões, queria que todas as coisas acontecessem da maneira que eu imagino, pra pelo menos as brigas darem certo e eu ter a chance de usar aquele discursinho bem ensaiado que ta pronto dentro de mim há tanto tempo.

Mas eu não sei se pro meu bem ou pro meu mal, as coisas não estão assim. É muito pedir por respostas objetivas? Pro sim ou pro não, uma certeza vale mais que as incontáveis dúvidas que me corroem e me esgotam.

O maior problema é que só uma pessoa pode dar essas tais respostas objetivas que eu tanto procuro, e essa pessoa sou eu. P-H-O-D-A, né? Eu sei, pelo menos isso eu sei.

Mas eu não vou ser egocêntrica querendo colocar todo o peso sobre as minhas costas, eu nortearia muito bem a minha suposta decisão e certamente acertaria a tal resposta que eu preciso tanto dar pra mim mesma se eu tivesse algum sinal, alguma idéia do que se passa no interior de outras psiques, se eu soubesse se por acaso essa angústia queima no interior de mais alguém além de mim, mas ta difícil, viu?

Por isso que cá estou eu, voltando a fase da minha adolescência, tentando encontrar no papel as respostas, enquanto me parece que eu estou usando como tinta o sangue que escorre do meu coração, torcendo para que logo eu esqueça os detalhes e as histórias...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cicatriz

Há quase três semanas, eu escorreguei ao sair do banho e bati o joelho esquerdo na porta de alumínio do box. Besteira, nada de extraordinário - tratando-se da minha pessoa, o prejuízo foi até pequeno.
Na hora da pancada não percebi que o corte aberto era grande o bastante para precisar de sutura e, com a tolerância mínima que tenho com sangue, só lavei o ferimento de qualquer jeito e colei um Band-aid em cima, pra não ter que ficar olhando aquela coisa sangrar. Para mim já era o bastante ter de sentir a dor.
No dia seguinte, ao trocar o curativo, percebi que daria um trabalho maior do que o imaginado curar a ferida aberta pelo escorregão. O corte era grande e profundo e já não havia tempo de dar pontos.
Fiquei dois dias sem conseguir andar devido à dor. Circulei por uma semana inteira usando apenas saias e vestidos para não haver atrito de tecido com o machucado. Manquei por mais tempo do que isso - talvez uns dez ou doze dias.
A casquinha finalmente começou a aparecer, o que trouxe uma coceira quase insuportável, que me obriga constantemente a me concentrar para manter o controle e não enfiar a unha no corte. Mas já voltei a caminhar normalmente - e a usar calças -, o que denota uma melhora considerável com relação ao dia da batida. Dependendo da posição em que coloco a perna, a dor volta, o que ainda me impede de ignorar por completo o ocorrido. Então eu tento me distrair pensando em outra coisa.
De vez em quando é bom um pequeno acidente, pra nos lembrar de como somos frágeis, podendo nos ferir assim, por causa de um passo em falso. Mas ainda torço pra que fique uma cicatriz.
Cicatrizes são boas. São histórias pra contar.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

É que...

Não é que eu vá me consumir por esse ou aquele motivo.
É só que de vez em quando dá um agudinho de tristeza. Não. Falta. Agudinho que não chega a ser saudade, só a vontade de que passe logo o mês. E o outro. E o outro.
Mas os dias insistem em vir um atrás do outro, sem atropelos. E os lugares parecem não compreender que eu não quero nenhum deles. Lugar nenhum. Gente nenhuma. Som nenhum.
Só quero a mim e um céu azul e enorme pra que olhar.
Não é que eu vá me afogar em um monte de lágrimas e ficar olhando minha vida passar daqui pra frente.
É só que de vez em quando bate um ventinho frio e dá vontade de correr sem parar. Não. Deitar. Dormir até a próxima estação. Ou mais.
Não que faça muito sentido, mas ajudaria se minha vida não estivesse essa bagunça.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Letras avulsas

Pequenas notas de esclarecimento sobre pontos importantes (ou não):

  • Percebe-se que as aulas na UEM voltaram quando é o primeiro dia e eu falto.
  • Percebe-se que as aulas na UEM voltaram quando estamos sem o professor de alguma matéria.
  • Percebe-se que as aulas na UEM voltaram quando elas são suspensas dois dias mais tarde (neste caso, em decorrência da gripe suína).
  • O chamado Efeito Placebo ocorre quando um indivíduo acredita estar tomando medicamentos contra algum mal e deste melhora ou é curado, apesar de o medicamento ser composto de ingredientes que inicialmente não poderiam alterar o curso da doença - açúcar ou farinha, por exemplo. Logo, também pode ser considerada uma "busca pelo Efeito Placebo" quando o indivíduio busca em outras atividades esquecer de uma, especificamente.
  • Excludente é um adjetivo usado para designar algo que - obviamente - exclua um ou mais fatores de sua lista de abrangência.
  • O contrário do vocábulo "excludente" não é (diferentemente do que alguns possam pensar) "includente", mas "inclusivo".
  • "Inclusivo" não é apenas a maneira errada de se pronunciar "inclusive", e sim uma palavra que, inclusive, possui gênero, podendo ser utilizada no feminino - "inclusiva" - caso o substantivo precedente assim o exija.
  • Decisões são providências tomadas por alguém quando as demais alternativas são, aparentemente, menos completas ou viáveis para se alcançar o resultado desejado.
  • Decisões são atitudes essencialmente voláteis que, justamente por essa característica, podem causar o efeito colateral conhecido como arrependimento, cujos sintomas são dor de cabeça e, por vezes, náusea, e que costumam cessar quando se esquece do assunto ou quando se volta atrás decidindo, em nova oportunidade, por uma das demais alternativas anteriormente descartadas por parecerem menos completas ou viáveis.
  • Pode-se diagnosticar um indivíduo como portador do mal conhecido por "Verborragia Temporária" quando ele insiste em falar e/ou transcrever todo tipo de bobagem que lhe venha à mente apenas como forma de externar sua incapacidade criativa, também conhecida por "branco".

E tenho dito.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Conclusão

Fiquei pensando agora à noite sobre a sua situação, que tantas vezes destrinchamos ao telefone.
Uma meia dúzia de palavras sentimentalistas não vai mudar o que você é para você mesma: você é sua força, sua beleza, sua atitude e sua dignidade. Nada do que ele diga ou faça poderá mudar isso.
Não acho mesmo que deveria haver um ponto onde ele pudesse merecer você, na verdade nem metade de você, até porque não consigo pensar em alguém que fosse merecedor de todo o conjunto de virtudes que formam você. Por isso ele ficou confuso: nada do que fizesse poderia ser suficiente para estar ao seu lado.
Não espere que ele compreenda o que você sente: ele não é capaz de compreender nem o que ele mesmo pensa. Você não. Você é um poço de certezas e isso incomoda além da conta. Você sabe o que quer e sabe melhor ainda o que não quer - e deixa muito claro para quem quiser saber, sem parecer radical demais.
Nem mesmo um oceano das desculpas dele poderia em algum momento alcançar a grandiosidade que você tem por dentro.
Sei que às vezes você também se confunde e não sabe dizer ao certo o que sente, mas até na sua dúvida tímida você consegue ser grandiosa - não sai por aí atirando para todos os lados, como ele faz.
E, cá entre nós, é bastante óbvio que ele não passa de um mané.
Nossas conversas diárias de repente me fizeram perceber o quanto não faz o menor sentido pensar nele como um passado bacana. Legal mesmo, querida, é quem põe só sorrisos no rosto lindo que você tem!
P.S.(agora falando de mim e você): O destino decide quem entra em nossa vida; as atitudes decidem quem fica. Te adoro!

sábado, 11 de julho de 2009

Abstrações

Acerca do medo, que invariavelmente nos atinge ao entrarmos no campo dos sentimentos, creio que há certa conformidade - e, por que não, concordância - de nossa parte ao permitirmos sua aproximação.
Incontestavelmente, o medo protege. E protege porque acovarda. Prova disso é que as pessoas que morrem afogadas em geral sabem nadar. As que são temerosas com relação à água não se afogam... porque não se arriscam.
O mesmo princípio se aplica à amizade, à raiva e, naturalmente, ao amor. Quando se tem medo destes sentimentos você acaba protegido de seus efeitos, porque não se arrisca a vivenciá-los.
Somente a vivência, no entanto, trará o conhecimento dos benefícios de todos estes conceitos. Em outras palavras, ver o lado bom.
No decorrer de minha vida, incontáveis vezes deixei-me acovardar pelo medo do envolvimento, da dependência de determinados sentimentos que a mim se apresentaram. Posso assegurar que, apesar de protegida das consequências destes sentimentos, não pude deixar de sentir as inúmeras horas de lamentação pelas sensações que não vivenciei.
.
Certa vez me deixei envolver por um sentimento inventado, criado por mim num momento de "nada pra fazer".
Ao contrário do que supus, tal revolução interna - que não existia de fato - causou maiores estragos do que outras - tão reais que eu quase podia tocar. Isso porque dei, mais que minha autorização, minha bênção para que o sentimento se instalasse e entrasse em cada lacuna não preenchida.
Sofri (como, de fato, prevêem aqueles que sentem medo), mas saí ainda viva, com a tranquilidade da convicção de que eu tinha feito uma escolha, vivido intensamente as consequências desta escolha, e crescido com a experiência.
Entendi, por fim, do que eu deveria ter medo.
Mas, de coração, não consegui ainda inventar esse medo que - eu sei - devo sentir. E quero tudo de novo!

sábado, 27 de junho de 2009

E lá se vai o Michael Jackson

Ok, a princípio eu me recusei a tratar do tema porque né... o cara morreu há menos de 48 horas e já vi matérias na TV o suficiente para me perguntar se afinal não há nada de mais interessante pra falar. Na boa, Farrah Fawcet também morreu essa semana e não mereceu mais que uma ligeira citação nos telejornais. E, pelo menos para mim, muito mais Jill Munroe, de "As Panteras", que o lobisomem de "Thriller".
Sem querer entrar no mérito da questão de que ele foi um ícone mundial, que marcou gerações e era um baita cantor, além de dançarino e blablabla, nem citando a disparidade de opiniões acerca de seu caráter e atitudes em sua vida pessoal, resolvi discorrer sobre essa história da morte de Michael Jackson.
De qualquer modo, pessoas como ele morrem por um único motivo: encher nossa santa paciência com horas e mais horas de falatório sobre elas. Não fosse por isso poderiam continuar vivas ad eternum, causando, como lhes apraz.
Só não aguentei ficar quieta porque estava calmamente fazendo uma tradução de espanhol em frente à televisão quando - não sei porque raios - olhei para a tela e vi, embasbacada, que o Jornal da Globo perdeu tempo fazendo uma animação em 3D para explicar como executar o Moon Walk.
Como diriam meus pais, façameofavor! (E, sim, eles emendam tudo assim mesmo).
Se é por falta de pauta, aí vão algumas sugestões:
- O Brasil ganhou ontem da África do Sul comandada por Joel Santana e está na final da Copa das Confederações. O jogo é domingo. Bora falar da cobrança de falta do Daniel Alves, analisar a seleção dos Estados Unidos ou tirar sarro do inglês do Joel.
- Nova frente fria na área. Cabem matérias sobre a moda outono/inverno, link diretamente de Campos do Jordão ou Gramado, com direito a lareira e geral esperando ver neve, espanto com a temperatura em São Joaquim... na hora do desespero vale até dar receita de chocolate quente.
- A Mega Sena está acumulada em 55 milhões. É o segundo maior prêmio da história. Para aproveitar a oportunidade é legal entrevistar o povo nas lotéricas, fazer demonstrações de como o governo dará um jeito de levar boa parte do prêmio ou ensinar como fazer a aposta.
- Há uma gripe maligna à solta no mundo, meu povo. Vamos entrevistar infectologistas, dar dicas de como evitar a contaminação, acusar o Ministério da Saúde de ser relapso... em outras palavras, ensinar à população a melhor maneira de entrar em pânico.

Enfim, tudo menos o Moon Walk em 3D!
Mas a melhor parte foi ver a cara do William Waak durante o programa. A cada vez que anunciava uma nova reportagem sobre o tema, o olhar denunciava o pensamento recorrente do apresentador: "se eu pego o infeliz que fechou essa edição...".
Ao final, ele arrematou: "e você continua acompanhando a cobertura da morte de Michael Jackson através do jornalismo da Globo" - o que me levou a pensar: what the hell cobertura? Ele morreu, ponto. Não tem o que cobrir!
Bom, depois não sabem o motivo de não ser mais necessário diploma para fazer jornalismo nesse país.

Coloca essa joça no ar de uma vez, vai!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Tem coisas que só o TCC faz por você...

...ou "Como não assassinar o coordenador de estágio".

Após 17 anos de cadernos, livros, dicionários, recorte e cole, teatro, seminário, 500 folhas de papel sulfite, obrigatório o uso de uniforme e caixa de lápis de cor com 48 cores, eis que estou no último ano da faculdade.
É lindo porque, ao mesmo tempo em que tenho consciência de que no próximo ano sentirei saudades dos colegas de turma, de um horário semanal especialmente reservado a fazer a unha e de proferir a frase "não tenho esse xerox", ir pra aula já porrou e não aguento nem ver a cara dos meus professores.
É à noite que tudo acontece lá em casa - no bom sentido. As pessoas que moram comigo se reúnem pra falar de seus dias e debater a novela, meu quarto fica suficientemente escuro para um cochilo, amigos de longa data estão no msn, namorado chama pra ver filme, cunhadas chamam pra comer batata recheada, enfim... minha mãe até cozinha! E é à noite também que eu, há quase quatro anos, estou na aula, sem poder desfrutar destes momentos.
Como se isso não bastasse, o TCC virou um martírio. Sim, obviamente todo TCC é um martírio, mas o nosso está particularmente espinhoso porque ninguém sabe informar se devemos montar uma monografia, relatório de estágio, apresentação com fantoches, peça de teatro ou jogral.
O coordenador do curso diz uma coisa, o coordenador de estágio diz outra, o papa é pop e nessa toada entramos em junho e eu não tenho sequer orientador!
É claro que, para mim, fazer tudo em cima da hora é mais do que normal, mas não sei mais que desculpa inventar para não parecer negligente quando as pessoas me perguntam sobre o TCC.
Se continuar nesse ritmo, no dia da apresentação, o jeito vai ser sacar de um "o coordenador comeu meu trabalhinho". E torcer pra banca dar um dez pelo humor.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

PIRILIM, PIRILIM,PIRILIM, alguém ligou pra mim!

Toquinho no celular...

... quem nunca deu? quem nunca recebeu?

Bem sei eu que eles podem significar muitas coisas: oi, lembrei de você!; me liga, to sem crédito.; to te esperando!; salva meu número.; liga agora que eu já possa atender.; sim; não; - essas duas últimas como resposta para mensagens – entre outras variações que dependem do momento e dá pessoa para quem se dá ou de quem se recebe o toquinho.

Normalmente eu sou adepta a esse meio de comunicação, mas – sempre tem um mas – se tem uma coisa que eu ODEIO é toquinho com número que eu não conheço.

Meu sangue ferve, e não é nem de raiva, é curiosidade mesmo. Poxa, se quer me transmitir uma das tão conhecidas expressões, eu preciso saber quem é. Óbvio, não? Não, nem tanto...

Eu costumo receber esse tipo de toquinho e, por mais que eu fique inquieta e louca de curiosidade, não retorno de jeito nenhum; sou difícil!

Sou difícil, mas não sou impossível, se for uma ligação e eu estiver em condições de atender, atendo, claro! Muitas vezes é engano – afinal de contas, eu não sou uma pessoa tão procurada – outras são amigos/conhecidos que trocaram de número e esqueceram de avisar. Mas sempre tem aqueles que permanecem incógnitos, que se acumulam numa caixinha do meu cérebro que eu chamo de curiosidade.
- quem é?
- sou eu, Bola de Fogo.
- hã?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Vire-se porque você não é quadrada

Eu tenho um problema meio sério no que diz respeito a atrair pessoas estranhas para minha vida. Em todos os sentidos. Amigos, namorados, família - todos têm diversos pinos a menos, o que talvez meu psiquiatra um dia descubra ser uma autodefesa do meu inconsciente. Algo no estilo "obrigando-me a conviver com pessoas que estão a anos-luz da sanidade mental, eu me sinto um pouco mais normal do que efetivamente sou", uma vez que meu cérebro ligeiramente passado não me permite alcançar o epíteto de "pessoa equilibrada". Whatever.
No entanto, na semana passada, percebi que não apenas as pessoas com quem convivo por opção têm essa dificuldade de raciocínio lógico, mas também aquelas com quem convivo por falta de opção. Leia-se meu chefe, que anda me pedindo favores tão absurdos quanto solicitar acesso ao cofre do Banco Central.
Voltando: na semana passada eis que estou no escritório ocupada com as trivialidades que norteiam meu maravilhoso emprego, quando toca o telefone. Eu atendo, é ele. Me pedindo para levar até sua empresa os três banners que mandei confeccionar a título de ter o que pendurar na sala de reunião pra fazer uma graça.
Passei cerca de cinco minutos explanando acerca dos motivos pelos quais essa seria uma tarefa humanamente impossível de ser cumprida. Citei Shakespeare, Karl Marx, Freud, o João da padaria, Gandhi, Buda e o Dinho, dos Mamonas Assassinas. Expliquei que, devido ao baixo soldo que recebo em minha conta corrente no presente momento, e que claramente é um sinal da opressão sofrida pela classe proletária em decorrência da ganância de ocupantes dos altos cargos, como o dele, eu não possuo veículo automotor, o que torna inviável o transporte do material solicitado, considerando-se que o mesmo possui a medida de 1,50 m, enquanto minha pessoa possui a medida de 1,62 m. Incorporei ainda à defesa o fato de que eram três banners, com cerca de 1,5 kg cada um, o que ultrapassa a marca de 8,5% do meu peso total e que, portanto, seria clinicamente desaconselhável que o traslado fosse feito à pé.
Pois de nada adiantou gastar minha retórica. Ao final da conversação ele simplesmente me respondeu que, se eu não conseguia carregar os banners devido à quantidade, tamanho e peso, deveria fazer três viagens, concluindo assim a tarefa que me fora confiada. Ou seja, um enorme e sonoro "vire-se porque você não é quadrada".
Fiz então o que qualquer ser que tenha amigos faria: arrumei uma carona e fui levar a encomenda. Ao discorrer sobre os meios através dos quais consegui cumprir a exigência ridícula de uma pessoa que, diga-se de passagem, é possuidora daquela maravilha andante a que chamamos de carro, a referida criatura fez o que nem George W. Bush faria com tamanha pachorra: riu. Aliás, gargalhou.
Quer dizer, ele sabe se comportar com dignidade? Absolutamente. Ele merece o cargo que ocupa? Tampouco. Ele sabe o que significa assédio moral? Aparentemente não, e também desconhece suas implicações legais. Ele sabe com quem está mexendo? Menos ainda. As ideias deste senhor estão totalmente ulrapassadas no que diz respeito a leis trabalhistas e humanistas, e ele merece um processo judicial, que não vou aplicar porque né?
Do I really care? Not at all. Arrumo outro emprego e dou nele o que conhecemos vulgarmente por "pé na bunda". Só gostaria de registrar este ultraje e uma reivindicação: se é para ter um chefe sádico e de humor duvidoso, exijo que seja Willy Wonka!

Pelo menos tem o chocolate.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Contagem Regressiva

Chegar na faculdade me angustia, isso é fato! Assim que eu termino de subir aqueles três lances de escada (ai, como cansa!) eu dou de cara com aquele cartaz, marcando a cada dia um número a menos...
Por mais que eu tente, não dá pra explicar, por mais que alguns amigos me acompanhem, pouco provável que sintam a mesma emoção que eu sinto.
É inexplicável a sensação de gritar junto, cantar junto, beber junto. E ainda mais inexplicável é o que eu sinto ao ver todas aquelas pessoas que, supostamente, deveriam pensar coisas sérias e discutir assuntos polêmicos, enchendo a cara de jurupinga e dançando ao som de MC Catra.
São quatro dias mágicos, onde cada um defende com unhas e dentes a sua instituição de ensino ao mesmo tempo que sente vontade de trocar a caneca com algum aluno de outra faculdade.
Jogos Jurídicos são hipnotizantes, depois que acaba eu passo uns 06 meses lembrando; antes de acontecer eu fico uns 06 meses esperando.
Obviamente, quando falta poucos dias para começar ou quando acabou faz poucos dias a emoção é mais acentuada, tanto a ansiedade quanto a saudade.
Só sei que daqui a alguns dias eu vou para Foz do Iguaçu e não sei quando, efetivamente, eu volto. Interessados em viajar por algum tempo nesse meu mundinho?
19 dias... guenta coração!