quinta-feira, 2 de abril de 2009

Do abraço

Quando me deitei a seu lado ontem à noite eram duas da manhã e eu não tinha a intenção de acordar ninguém. Principalmente em vista da sua dificuldade declarada em pegar no sono todos os dias.
Fato é que era tarde, eu estava incerta quanto à minha decisão de ter saído de casa e não queria causar mais problemas do que já tínhamos.
Talvez se faça necessário explicar que muito da minha necessidade de abraçar, beijar e apertar quem eu amo vem da minha doce progenitora. Fui criada à base da proximidade. Preciso estar perto, junto, quase entrar em fusão, para demonstrar a imensidão do meu afeto.
Minha mãe sempre foi de um carinho extremo conosco, de botar no colo mesmo e fazer ninar. Desde cedo me acostumei a esse traço de sua personalidade e a ele adaptei a delicadeza que julgo possuir, ainda que apenas de leve.
Apesar disso, nunca entendi muito bem como fomos nos tornar tão íntimas, tão cúmplices, tão mãe e filha e amigas e irmãs. Seu carinho sempre presente me deixa segura e creio que venha daí a relação tão sublime que se desenvolveu entre nós.
Mas ontem, quando abri a porta do quarto e ela acordou, e me deitei a seu lado às duas da manhã e, após dizer boa noite, ouvi num fio de voz aquele "me abraça?!", toda a leveza da nossa ligação desceu devagar do teto do quarto, veio parar no meu coração, deixando tudo perfeitamente simples, totalmente claro, completamente explicável, absolutamente puro.
Eu virei para o lado e a abracei. E naquele abraço estavam contidos vinte anos da sua dedicação a mim, aos meus irmãos, à nossa felicidade.
E foi assim que eu, às duas da manhã de uma quarta-feira, me tornei sua mãe também.
[Carolina]

quarta-feira, 25 de março de 2009

Hora de Participar

Recebi hoje pela manhã um e-mail do meu avô (não, você não leu errado) que me chamou a atenção.
Isso é fato raro porque o Sr. Werneck me manda zilhões de e-mails todos os dias. Duvido mesmo que ele leia todos eles antes de encaminhar, mas enfim... eu posso garantir que leio todos, até porque é o mais próximo do meu avô que eu consegui estar em vinte anos.
Pulando a parte familiar da coisa, a mensagem tratava de um tema que efetivamente vale a pena divulgar. É um movimento contra o aquecimento global que está sendo apoiado pela WWF.
Apesar de já existir há dois anos, esta é a primeira vez que o Brasil adere à proposta de apagar as luzes durante uma hora no dia 28 de março. Esta hora é chamada "Hora do Planeta".
Infelizmente a iniciativa deve vir dos governos municipais, o que restringe a participação no evento. Por outro lado, grandes cidades brasileiras já confirmaram seus nomes na lista daquelas que ficarão no escuro, das 20h30 às 21h30 do dia 28 de março. Entre elas estão Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Rio, Brasília e até São Paulo.
Se a sua cidade não estiver entre as participantes, ainda assim vale a pena um esforço pessoal para colaborar.
Mais do que um ato simbólico, a Hora do Planeta é uma questão de consciência.
Abaixo, os dois vídeos da campanha publicitária.


http://www.youtube.com/watch?v=aeYugbX8YDU

http://www.youtube.com/watch?v=r5KfsyS1ogk

(Como me irrita não conseguir colocar o vídeo! Hnf!!!)
[Carolina]

segunda-feira, 23 de março de 2009

Habilidade com crianças: zero

Se há duas coisas para as quais eu definitivamente não levo jeito, uma delas é escrever e a outra é interagir com crianças. E hoje, tirei o dia para discorrer sobre essas pestinhas.
Quem me conhece, sabe bem que eu e estes mini-seres estabelecemos uma relação de respeito mútuo. Eu não os procuro e eles se mantêm longe de mim.
É claro que eu quero ser mãe um dia e tenho sim instinto maternal (muitíssmo aguçado, acreditem). O fato é que não tenho muita habilidade com o filho dos outros.
- Essa criança não pára de chorar. É fome? É dor? Dor de quê? Dor aonde? Já dei a mamadeira, e agora, o que faço?

Dias atrás, uma dessas figurinhas virou-se para uma colega de trabalho e disse:
- Eu sei sambar.
E elas ficaram interagindo em uma linguagem não decifrável enquanto eu guardava a resposta que veio automaticamente em minha mente: "E eu com isso?!"

Freud talvez tivesse uma explicação para esta falta de afinidade. Entretanto, este sentimento vem sido trabalhado ao longo dos últimos nove meses. Incrivelmente, estou ansiosa pela chegada do Felipe, um bebê amado desde o instante em que soubemos de sua existência. E, convenhamos, favorecido pelo carinho imenso que sinto por seus pais, Livia e Eduardo. Pessoas estas que merecem o filho mais lindo do mundo, pois são os melhores pais do mundo.
Espero pela "materialização" deste bebê que já está pronto em nossa imaginação há tempos... e que ele me ensine a ser uma tia legal, aproveitando todo o carinho que sinto por ele.



[Karina]