Acerca do medo, que invariavelmente nos atinge ao entrarmos no campo dos sentimentos, creio que há certa conformidade - e, por que não, concordância - de nossa parte ao permitirmos sua aproximação.
Incontestavelmente, o medo protege. E protege porque acovarda. Prova disso é que as pessoas que morrem afogadas em geral sabem nadar. As que são temerosas com relação à água não se afogam... porque não se arriscam.
O mesmo princípio se aplica à amizade, à raiva e, naturalmente, ao amor. Quando se tem medo destes sentimentos você acaba protegido de seus efeitos, porque não se arrisca a vivenciá-los.
Somente a vivência, no entanto, trará o conhecimento dos benefícios de todos estes conceitos. Em outras palavras, ver o lado bom.
No decorrer de minha vida, incontáveis vezes deixei-me acovardar pelo medo do envolvimento, da dependência de determinados sentimentos que a mim se apresentaram. Posso assegurar que, apesar de protegida das consequências destes sentimentos, não pude deixar de sentir as inúmeras horas de lamentação pelas sensações que não vivenciei.
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Certa vez me deixei envolver por um sentimento inventado, criado por mim num momento de "nada pra fazer".
Ao contrário do que supus, tal revolução interna - que não existia de fato - causou maiores estragos do que outras - tão reais que eu quase podia tocar. Isso porque dei, mais que minha autorização, minha bênção para que o sentimento se instalasse e entrasse em cada lacuna não preenchida.
Sofri (como, de fato, prevêem aqueles que sentem medo), mas saí ainda viva, com a tranquilidade da convicção de que eu tinha feito uma escolha, vivido intensamente as consequências desta escolha, e crescido com a experiência.
Entendi, por fim, do que eu deveria ter medo.
Mas, de coração, não consegui ainda inventar esse medo que - eu sei - devo sentir. E quero tudo de novo!