segunda-feira, 14 de julho de 2008

Bonitinho, mas ordinário

Estive na capital estadual mais uma vez no último final de semana e posso garantir duas coisas: primeiro, Curitiba continua linda e fria, muito obrigada; segundo, textos tratando da viagem serão freqüentes, uma vez que sobra assunto pra mais de metro.
Esclarecidos esses dois pontos, ainda posso garantir um terceiro: em Curitiba a inspiração está em cada canto das ruas históricas, dos parques arborizados, dos prédios modernosos, da iluminação pública.
Oi?
Sim, quando se tem a companhia de pessoas tão surtadas quanto você, pode-se tirar mil fotos de um único poste, para que ele vire crítica (senão política, no mínimo urbana) em blogs por aí.
O fato é que algumas praças e pontos turísticos de lá são iluminados por um tal “Lampião Republicano” – sim, o poste tem um nome e um nome composto! – que foi implantado pela prefeitura como forma de resgatar parte da história da cidade, uma vez que segue um modelo adotado em 1929. Bem, os lugares ficaram mais nostálgicos e com aspecto antigo. No entanto, segundo fonte surtada porém segura, o poste de nome composto nada mais faz do que iluminar as árvores.
Creia, ele joga luz para cima! Posso estar enganada, mas a impressão que tenho é de que postes de iluminação pública deveriam iluminar, assim... As vias públicas – leia-se calçadas e ruas. Não que pássaros não precisem de luz para voar mas, er... Exceto corujas (que não têm problemas com o escuro) eles tampouco voam à noite.
A segunda parte da história toda diz respeito ao fato de que, além de iluminar o céu (tenho vontade de rir cada vez que penso nisso), o Lampião com duas lâmpadas, que é o mais utilizado, ainda gasta três vezes mais energia do que postes de iluminação comum, uma vez que suas lâmpadas precisam ser mais potentes e em maior quantidade, para compensar a posição errada em que foram projetadas. O número de postes também tende a ser maior pelo motivo supracitado, o que nos dá uma superpopulação de postes de nome difícil que servem para absolutamente nada além de deixar a cidade mais engraçadinha e com uma conta de energia mais alta.
Todas essas informações talvez nos ajudem a encontrar a resposta para uma questão fundamental que norteia nosso país: “Que diabos fazem os políticos?”. Simples, pensam em coisas pouco úteis, mas que pareçam brilhantes – sim, foi um trocadilho – para que pessoas como nós tenham motivo pra achar que eles são os menos piores.
O único ponto que permanece obscuro é pensarmos que o mesmo governo que faz campanha pelo racionamento de energia também opta por uma estrutura que, apesar de bonita no conceito, na prática é totalmente ineficiente.
Por sorte as conversas fluem pelas praças da capital, fazendo com que esse tipo de detalhe seja discutido, sabe-se lá por que motivo. Adoro idéias que aparecem do nada, como uma lampadazinha no cérebro da gente – ainda que não seja tão bonitinha assim.

Inutilidade Pública

[Carolina]

Créditos: Engenheiro Eletrotécnico e guia preferido. Obrigada pelos papos.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

E deve ser assim...

O amor ideal deve vir com o tempo – ou chegar logo na infância e ficar. Ele deve ser leve como o vento no rosto e prender ao chão como o dia seguinte de uma noite mal dormida.
O amor ideal deve não dever e, ao mesmo tempo, exigir explicações. Ele deve ser levado ao parque para passear sob o sol de domingo e tomar sorvete sujando o nariz. Também deve assistir a filmes de toda sorte, desde os infantis até os policiais e os de terror.
O amor ideal deve gostar de sopa nos dias frios e piscina nos dias quentes. O amor ideal deve trazer bombons e saber levar uma boa discussão de vez em quando. Deve saber dar carinho, mas deve saber dar bastante raiva também, porque ninguém quer um amor com gosto de chuchu. Ele deve te trocar pelo jogo de futebol do Itapipoca – e te levar a um lugar secreto, só de vocês.
O amor ideal não pode perder as baladas da vida pra não perder o ritmo, embora deva topar também uma dança a dois na sala de casa vazia e sem música. Ele precisa gostar de chuva e vento e frio na montanha... E de sol e calor e suor na praia. O amor ideal precisa topar um acampamento e uma volta no shopping. Precisa gostar da cerveja do domingo e do chá dos dias de ressaca.
O amor ideal deve sim ferir, desde que saiba como curar. Ele deve ouvir Beatles, Ivete, Djavan, O Rappa, Jack Johnson. Ele deve saber quando ouvir.
O amor ideal deve saber conversar sobre a imensidão do Universo, a notícia da semana passada, política internacional e sobre bicho de pé. Ele deve saber dicas de cozinha ainda que não saiba cozinhar.
O amor ideal deve querer o quarto limpo e arrumado da semana e a bagunça de edredons e almofadas e vídeos e brigadeiro do seu final. Ele deve vir pela manhã para atrasar seus horários, à tarde para andar de mãos dadas e à noite para curtir, depois abraçar forte e fazer companhia.
Eu ainda não encontrei o meu, mas o amor ideal também é um não buscar incessante. O amor ideal deve chegar sozinho, uma vez que sabe a hora certa de chegar.
Vai um chazinho aí?
[Carolina]
*Desenho e foto pela autora.

segunda-feira, 7 de julho de 2008


Antes de publicar o que escrevi hoje, gostaria de esclarecer dois pontos:

1- Como citado na descrição, o blog pertence a três pessoas, três mulheres. Assim sendo, as postagens serão as mais variadas possíveis. Poesias, conversas sem fins lucrativos, dissertações, críticas ao governo... Somos em três pessoas, diferentes e mulheres, o que nos remete a uma idéia de inconstância.

2- As opiniões expressadas são individuais e de responsabilidade de quem assinou o texto.


Agora... um poquinho de mim (hoje).






Um rosto lindo. Uma tarde de sol. Uma faixa no cabelo. Um sorriso colorido.
- O que será que lhe encantou?
Foi a alegria. O jeito de dançar. Solta e leve... Sem nenhum compromisso com o tempo ou com a vaidade.
- Por que será se aproximou?
Alegria contagiante. Estava gostoso admirar. Queria envolver-se. Entrar naquele ritmo.
- E que gosto será que teve?
Espumante. Flutuante. Incessante.
- E agora, o que será?
Agora não sei. Tudo roda.
...
Cadê? Vai entender... Será?
É mais fácil não fazer sentido.
[Karina]