terça-feira, 6 de abril de 2010

A Estranha.

Quem é essa que me encara do espelho? Seus olhos trazem tantas emoções que eu não a reconheço.

Sim, alguns traços permanecem os mesmos, mas até mesmo seu sorriso, seu tão familiar sorriso, me diz que, por dentro, ela não é, nem nunca mais será, a mesma com quem me habituei.

No interior ela traça uma intensa batalha com seus próprios demônios, todos seus erros, seus medos, seus fracassos, gritando que nem adianta tentar, que ela nunca será capaz.

De outro lado a sua fé, sua força de vontade, sua coragem, tentando fazê-la ignorar todos os gritos, se levantar e seguir em frente no caminho que a levará ao sucesso.

Seus sonhos guerreando com seus pesadelos incessantemente em seu interior, fazendo-a sentir, sofrer, chorar, sorrir, se desesperar. E mesmo assim, a imagem do espelho sorri pra mim.

Afinal, quem é essa?

terça-feira, 30 de março de 2010

Aleluia, irmãos!

Uma vez que minhas companheirinhas de blog aparentemente faleceram ou tiveram seus computadores defenestrados (como nos ensinou Luis Fernando Veríssimo), e já que finalmente tenho algo a acrescentar à bagagem intelectual inútil das nações do mundo globalizado em que vivemos, cá está um texto novo, dedicado com todo o carinho à Livia, que andou cobrando.
Há muitas coisas detestáveis no mundo. Certa vez enumerei neste mesmo espaço aquelas que ocupam o topo da minha lista negra: falta de Coca-Cola, cólica e bolha no pé. No entanto, esqueci de mencionar uma outra, tão detestável quanto as três anteriores: pregações.
Cara, eu odeio pregações com todas as minhas forças, sejam elas provenientes de qualquer ordem religiosa, seita, doutrina ou credo. Diferentemente de gosto político, que eu abstraio, e futebolístico, que eu discuto, sim - e com orgulho - fé é o único item da trinca da discórdia que eu considero tão excessivamente particular que nem a minha eu cultivo direito, para não correr o risco de arrumar briga comigo mesma.
Não sei se por esse motivo, o fato é que pessoas vivem tentando me converter. E o pior é que sei que não é só comigo. Pessoas vivem tentando converter outras pessoas.
O mundo precisa se convencer de que o caminho para o céu - seja ele qual for, se é que existe - é importante demais para ser mostrado a alguém.
O mundo, aliás, precisa compreender que nem todo mundo acha legal berrar a deus - seja ele qual for - pedidos de salvação eterna. De repente o deus do outro não tem problema auditivo, como o seu, então não tente convencê-lo a ir à sua igreja agir como um cabrito degolado.
Assim como nem todo mundo acha legal sibilar frases entredentes ao mesmo tempo em que o líder religioso tenta fazer uma oração. Caso você goste assim, dê-se por satisfeito em não calar a boca, mas não encha o saco de mais ninguém para que faça o mesmo.
Nem todo mundo, também, curte esse lance de pão e vinho. Para algumas pessoas menos familiarizadas com o costume, pode parecer esquisito imaginar corpo e sangue descendo garganta abaixo, no meio de uma cerimônia.
A Bíblia também não é a leitura predileta de toda a raça humana, indistintamente. Alguns "hereges" preferem ler as notícias do dia, o último lançamento de um autor bacana ou ainda esse monte de baboseiras que nós escrevemos por aqui quando não temos nada melhor a fazer. Isso não os torna necessariamente pessoas ruins ou impuras, apenas os torna diferentes de você.
Portanto, não fique desesperado imaginando um fim terrível e sofrimento eterno para aqueles seres humanos que não possuem a mesma fé que você. Vai que você mesmo está errado! Contente-se em seguir o que você escolheu e salvar sua própria alma pecadora porque, de acordo com a MINHA religião, pessoas que ficam pregando por aí deverão ser eternamente forçadas a ouvir uma playlist que, entre outras pérolas, incluem Latino, Perla e o Rebolation.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

poder me orgulhar?

Eu estou terminando o quarto ano de um curso conceituado, em uma universidade escolhida, por dois anos consecutivos, como a melhor do Paraná. O curso que eu faço - Direito - é recomendado com a nota “A” pela OAB e recebe sempre boas notas no ENADE.
Não estou falando isso para me gabar, até porque, no presente momento, eu não sinto um pingo sequer de orgulho desse curso. Eu falo simplesmente para poder mostrar as contradições existentes.
É certo que a UEM, como uma universidade pública, passa por dificuldades financeiras e burocráticas, mas isso não justifica, em nada, a canalhice feita pelos departamentos do curso de direito com seus alunos.
Cada vez mais se percebe que o mérito das aprovações no exame da Ordem e as boas notas no ENADE são, quase que exclusivamente, dos alunos que, selecionados pelo vestibular, estão acostumados a “dar duro” pra conseguir seus objetivos.
Terminando o penúltimo ano de faculdade, é mais que natural que eu esteja fazendo planos para o futuro, tais quais: terminar, durante as férias de verão, a minha monografia; fazer um cursinho preparatório para a OAB; fazer estágio e guardar algum dinheiro; começar a estudar, como nunca fiz antes na minha vida, para ser juíza do trabalho; entre inúmeros outros, alguns vagos, outros certamente palpáveis.
Mas na última quarta-feira recebi uma notícia avassaladora: vai ser implantada uma nova grade curricular, que era pra ter sido colocada em prática no começo de 2006, quando eu ainda era uma caloura, e deve retroagir a todos que começaram o curso naquela época, ou seja, pra todo mundo que começou a faculdade junto comigo.
Resultado - eu, e meus colegas, teremos que fazer, no ano que vem, matérias que deveríamos ter feito durante os 1º, 2º, 3º e 4º anos, tudo de uma vez só, ainda com as matérias normalmente aplicadas no 5º, mais as que a nova grade curricular prevê para o último ano. Ou seja, aulas de manhã, de tarde e aos sábados, o dia todo, começando a partir de amanhã até o final do curso.
A patifaria está no fato dos nossos professores, representados pelos departamentos (DDP - Departamento de Direito Público e DPP - Departamento de Direito Privado e Processual), se recusarem a dar a quinta aula, o que nos acarretaria aproximadamente 50 minutos a mais na faculdade diariamente, mas nos livraria das aulas no sábado a tarde.
Além disso, haverá curso de férias, para que possamos adiantar algumas de tais matérias e não ficar tão sobrecarregados ano que vem. Ou seja, acabou férias, acabou descanso, acabou adiantamento de monografia e, provavelmente, acabou estágio, afinal de contas, com as manhãs e noites ocupadas, eu preciso arrumar algum tempo para estudar e fazer meu TCC.
Não tem como evidenciar mais o descaso dos professores e chefes de departamento para com os alunos - que vêm atribuindo o bom nome e a fama da universidade - que, além de simplesmente não se importarem com os nossos planos e projetos futuros, deixaram para aplicar, apenas no último momento, uma grade curricular estipulada pelo MEC em 2004.
Deixo aqui o meu protesto e minha mais profunda decepção para com essa universidade que, até alguns dias atrás, eu exaltava tanto através de gritos de torcida.